segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Prólogo

Thomáz abriu os olhos. Sua esperança acabou naquele momento. Dois minutos antes ele pensava em fazer algo, mas desistira.
PRAC, PRAC, PRAC: era o som que fazia o tamborilar de seus dedos na mesa. Sua impaciência estava aumentando.
A sala parecia uma imensa geladeira. A diferença era que em vez de cubos de gelo, haviam crianças. Todas com a mesma idade de Thomáz, doze anos. Mas era apenas a idade. Thomáz sabia que era diferente delas. Diferente de todos.
Sua cabeça começou a doer, seu corpo estava cada vez mais fraco. Ele precisava... Precisava agora...
— Thomáz? — uma voz despertou-o. — Está prestando atenção?
A professora estava parada na frente dele. Ele olhou ao redor. O olhar de todos estava em seu rosto. Aos poucos foi ficando vermelho.
Ela se afastou e ele ficou a fitar o chão. Não via a hora daquela aula imbecil acabar.
O tempo parecia pesar mais agora. Parecia ter uma pressão imensa sobre suas costas.
Thomáz queria chorar, mas não. Não iria fazer isso na frente de todos.
Os ponteiros do relógio acima da lousa parecia se arrastar. Eles não se moviam.
Thomáz sentiu seu rosto queimar. Colocou a mão nas bochechas, ele estava mesmo quente. Sentiu sua testa, ele estava com febre, concluiu.
A aula tinha que acabar logo.
O suor começou a escorrer. Por quê eu fiz isso? era seu pensamento.
O sinal tocou. Todos saíram correndo para o corredor. A professora se dirigia à porta, mas olhou para trás.
— Não vai descer, Thomáz?
As palavras pairaram pela cabeça de Thomáz, mas ele preferiu ignorar.
A professora desistiu e desceu junto com os outros alunos.
Thomáz ficou quieto por um tempo. Depois passou a fitar seu lápis de escrever. Ele tinha a ponta bem fina. Fina o bastante para furar, cortar talvez.
Ele agarrou o lápis. Contemplou-o por um momento o levando para perto de seu rosto. Começou a tremer. As lágrimas então começaram a sair, escorrer por seu rosto. Os soluços vieram por consequência.
Ele largou o lápis e cobriu o rosto com as mãos.
— Por que choras? — perguntou alguém.
Thomáz tirou as mãos do rosto o bastante para poder ver quem era.
A pessoa estava em frente as janelas, contra a luz. Thomáz viu apenas uma silhueta escura.
Ele enxgou as lágrimas.
— Não estou chorando.
A figura se aproximou andando. Thomáz pôde ver que era um homem. Sua pele era branca e seu cabelo era loiro. Seus olhos eram negros.
— Você não precisa mais chorar — disse o homem.
Thomáz olhou para os olhos do homem e depois disso não conseguiu mais desviar.
— Já disse... — disse Thomás e finalmente conseguiu virar o rosto. — Não estou chorando.
O homem ficou quieto por um tempo mas depois rompeu o silêncio.
— O que você fez não foi totalmente errado.
Thomáz olhou com receio para o homem.
— Não sei do que está falando.
O homem abaixou até deixar seu rosto na altura do rosto de Thomáz.
— Você anotou em seu diário. Não devia deixar memórias tão importantes em um livro.
Thomáz abriu o rosto em surpresa.
— Você leu meu diário?
— Não — o homem levantou novamente. — Eu vi. Eu estava lá. Eu sempre estive em sua vida, Thomazrael.
— O que...
— Sei que não fez por mau. Você apenas deveria ter pensado melhor.
Thomáz deixou seu rosto tremer por um instante até perceber que apertava seus próprios dedos.
— Você não sabe de nada! — gritou o menino.
— Ah, eu sei. Eu sei de tudo, irmão.
O homem andou até a janela e parou de costas para Thomáz.
— O que você fez foi errado, apesar de tudo. Mas o Pai te concede o perdão, contanto que você peça perdão.
Thomáz ficou em silêncio por um momento.
— Do que você está falando? Você é um louco!
Thomáz percebera neste momento que o homem estava sem camisa e descalço.
— Você tem uma missão, Thomazrael. Você só precisa agir com o Pai pede.
— Missão? Que missão?
— Não posso dizer... Mas você descobrirá em breve.
— Eu não estou entendendo nada.
O homem jogou um livro para Thomáz que o agarrou desajeitado.
— Em breve, Thomazrael — disse o homem.
Thomáz olhou para o livro, era seu diário.
— Como... Por que me chama de Thomazra... — ele levantou a visão mas o homem não estava mais lá.
O sinal tocou.

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